Não lembro bem como chegou até mim, acho que pelo face, mas esses dias acabei lendo um texto intitulado "Por que é tão difícil ter vontade de voltar a viver no Brasil?" e não pude me conter. Antes de mais nada, que fique bem claro que não sou nenhuma patriota cega aos problemas do meu país. Mas analisem com cautela o texto que li e concordem se quiserem...
A garota que escreve o texto fala da Espanha, onde vive:
"Aqui aprendi que não preciso de luxos para viver feliz, que com pouco dinheiro no bolso posso me divertir, ter uma vida cultural relativamente agitada e ainda viajar de vez em quando. Aprendi que a felicidade não se encontra em shopping e que autoestima não está diretamente relacionada com chapinha e unhas bem feitas". Ok, até aí qual é a diferença do Brasil? Me desculpem a intolerância, mas tenho certeza que, assim como eu, muitos brasileiros não precisam de luxo pra serem felizes. Com pouca grana a gente se diverte demais nesse país tão alto astral e festivo. Vida cultural relativamente agitada? Porto Alegre, prazer! Viajar? Opa, sempre que tenho folga! E sobre felicidade em shopping e chapinha pra autoestima, isso vai de pessoa pra pessoa e não de país pra país. Felicidade pra mim é um happy hour no fim da tarde com quem me faz bem, e vai contra os princípios da minha autoestima chapinha. Sou devota dos meus cachos, com licença?
"Aprendi a ser tolerante, a respeitar mais as diferenças, a descobrir a diversidade de raças, culturas, estilos de vida e pensamento muito diferentes dos nossos, brasileiros, muitas vezes machistas, egoístas e hipócritas..". Para tudo! Foi preciso ir morar em outro país pra aprender a ser humana? Muito fácil falar que brasileiros são machistas, egoístas e hipócritas, esquecendo-se que és também uma brasileira e definindo um comportamento que se repete em quaisquer outros países como sendo exclusivamente nosso. Mania de brasileiro metido à besta (agora quem generaliza sou eu): o que vem de fora é sempre melhor. É tão bom quanto o que é nosso e depende do quê. Cada país com suas características, oras.
"Aprendi que o normal pode ser qualquer coisa, que cada pessoa é um mundo e que cada um de nós cuida do seu próprio mundo pessoal, sem precisar de aparências ou máscaras. E ao mesmo tempo aprendi que todos devemos cuidar do nosso mundo coletivo, que a força do ser em conjunto é muito importante e que, melhor de tudo, dá resultados." Repito, reitero e enfatizo que isso não tem a ver com nação e sim com caráter. É lamentável ler isso. Que mania de culpar o lugar ou alguém por algo que deve partir de nós. Base familiar ou educacional não é sinônimo de bom caráter e bom senso.
"Aprendi que o ser humano, não importa a sua nacionalidade, está longe de ser perfeito, e apesar de tanta tolerância e igualdade por um lado, pode ser bastante preconceituoso e injusto por outro. " Agora estamos falando a mesma língua, moçoila, contraditória? É isto aí, SER HUMANO.
Pois bem, jovens. Viajem, viajem muito, pois pretendo fazer o mesmo por muito tempo. Conheçam culturas, pessoas, novos mundos. Agreguem sempre. Somem sem precisar bancar os tais por aí. Vejam graça em tudo. Isso é demais e sou super a favor. Mas não critiquem seu país sem argumentos consistentes e com comparações sem embasamento algum a não ser sua mera opinião preconceituosa e seu deslumbramento local. Querem comparar, então me deem dados, daí a gente até discute essa bobagem toda. Sou brasileira acima de tudo. E quem eu sou (para o bem ou para o mal) não foi meu país que fez. Fui eu. E o que meu país é, também sou eu que faço. Eu e você que o critica daqui ou de fora.
E, além do mais, hipocrisia é uma devoção fingida, portanto, cuidado ao se orgulhar do seu país em diálogos com quem não é daqui, soa falso, sabia?
