Por Tássia Jaeger

18/01/2012

Muita babação de ovo pra pouco argumento

Não lembro bem como chegou até mim, acho que pelo face, mas esses dias acabei lendo um texto intitulado "Por que é tão difícil ter vontade de voltar a viver no Brasil?" e não pude me conter.  Antes de mais nada, que fique bem claro que não sou nenhuma patriota cega aos problemas do meu país. Mas analisem com cautela o texto que li e concordem se quiserem...

A garota que escreve o texto fala da Espanha, onde vive:

"Aqui aprendi que não preciso de luxos para viver feliz, que com pouco dinheiro no bolso posso me divertir, ter uma vida cultural relativamente agitada e ainda viajar de vez em quando. Aprendi que a felicidade não se encontra em shopping e que autoestima não está diretamente relacionada com chapinha e unhas bem feitas". Ok, até aí qual é a diferença do Brasil? Me desculpem a intolerância, mas tenho certeza que, assim como eu, muitos brasileiros não precisam de luxo pra serem felizes. Com pouca grana a gente se diverte demais nesse país tão alto astral e festivo. Vida cultural relativamente agitada? Porto Alegre, prazer! Viajar? Opa, sempre que tenho folga! E sobre felicidade em shopping e chapinha pra autoestima, isso vai de pessoa pra pessoa e não de país pra país. Felicidade pra mim é um happy hour no fim da tarde com quem me faz bem, e vai contra os princípios da minha autoestima chapinha. Sou devota dos meus cachos, com licença?

"Aprendi a ser tolerante, a respeitar mais as diferenças, a descobrir a diversidade de raças, culturas, estilos de vida e pensamento muito diferentes dos nossos, brasileiros, muitas vezes machistas, egoístas e hipócritas..". Para tudo! Foi preciso ir morar em outro país pra aprender a ser humana? Muito fácil falar que brasileiros são machistas, egoístas e hipócritas, esquecendo-se que és também uma brasileira e definindo um comportamento que se repete em quaisquer outros países como sendo exclusivamente nosso. Mania de brasileiro metido à besta (agora quem generaliza sou eu): o que vem de fora é sempre melhor. É tão bom quanto o que é nosso e depende do quê. Cada país com suas características, oras.

"Aprendi que o normal pode ser qualquer coisa, que cada pessoa é um mundo e que cada um de nós cuida do seu próprio mundo pessoal, sem precisar de aparências ou máscaras. E ao mesmo tempo aprendi que todos devemos cuidar do nosso mundo coletivo, que a força do ser em conjunto é muito importante e que, melhor de tudo, dá resultados."  Repito, reitero e enfatizo que isso não tem a ver com nação e sim com caráter. É lamentável ler isso. Que mania de culpar o lugar ou alguém por algo que deve partir de nós. Base familiar ou educacional não é sinônimo de bom caráter e bom senso.

"Aprendi que o ser humano, não importa a sua nacionalidade, está longe de ser perfeito, e apesar de tanta tolerância e igualdade por um lado, pode ser bastante preconceituoso e injusto por outro. " Agora estamos falando a mesma língua, moçoila, contraditória? É isto aí, SER HUMANO. 

Pois bem, jovens. Viajem, viajem muito, pois pretendo fazer o mesmo por muito tempo. Conheçam culturas, pessoas, novos mundos. Agreguem sempre. Somem sem precisar bancar os tais por aí. Vejam graça em tudo. Isso é demais e sou super a favor. Mas não critiquem seu país sem argumentos consistentes e com comparações sem embasamento algum a não ser sua mera opinião preconceituosa e seu deslumbramento local. Querem comparar, então me deem dados, daí a gente até discute essa bobagem toda. Sou brasileira acima de tudo. E quem eu sou (para o bem ou para o mal) não foi meu país que fez. Fui eu. E o que meu país é, também sou eu que faço. Eu e você que o critica daqui ou de fora.

E, além do mais, hipocrisia é uma devoção fingida, portanto, cuidado ao se orgulhar do seu país em diálogos com quem não é daqui, soa falso, sabia?

05/01/2012

O que veio e ficou...

Eu poderia dizer diversas coisas sobre 2011, mas a verdade é que 2011 disse diversas coisas sobre mim. 2011 foi o ano que eu precisava pra me reencontrar. E como foi bom me reencontrar. Sem despedidas de mim mesma daqui pra frente. Eis a primeira promessa do ano. 2011 foi o ano no qual preenchi várias das lacunas da minha vida que estavam sedentas de transbordamento. Tudo que só imaginei por ter quase desistido de esperar, vivi. Sai do casulo. Grata. Histórias, remakes e novidades. Histórias que enobreceram minha alma, determinaram de vez meu caráter e meu caminho, ensinaram meu coração, e me fizeram sentir de novo. Sentir mais, sentir melhor, sentir novo. Sentir de verdade, valendo a pena ou não. Porque o que importa é sentir.

2011, o ano em que eu fui eu na minha plenitude. Em que aspirei e respirei a liberdade de ser quem eu sou. Ano em que a menina disse adeus e a mulher foi bem vinda, de mãos dadas com a eterna criança que habita em mim. Ano em que tudo fez sentido e que a vida me mostrou o quanto ela pode ser boa. Ano em que dei bem mais de mim do que já dei um dia. Coração pulsante, peito aberto, cabeça em velocidade máxima. Pensem num ano em que parar pra pensar é difícil. Faltou tempo pra pensar em qualquer coisa desimportante que eu já julguei importante um dia. Sim, eu sempre tive tendências a dar importância ao que não tem por falta de vida. Isso mesmo, de vida. Mas sei lá, sobrou vida. E sinto que isso foi só o começo.

Caminhar, correr, esperar. Até logo. Até nunca mais. Até sempre. Keep Breathing. Keep Loving. Keep Trying. Em 2011 cheguei a várias conclusões, mas nenhuma foi definitiva... que bom. O que importa é que o ano que passou foi único. Um único diferente dos outros anos únicos pelos quais passei. O que eu vivi me fez amadurecer muitos anos em um só. Aprendi sobre tudo, todos e nada.

... E sabe aqueles erros que eu prometi não repetir? Pois é. Repeti todos. E quer saber? Que bom de novo. Eu pensei que eu não ia mais sentir isso ou aquilo, que eu não mais fazer isso ou aquilo. E senti, e fiz. E com mais intensidade e mais entrega do que em qualquer outro momento.

E quem me vê de longe, quem só sabe de mim, ou quem de mim ouviu falar, jamais vai saber quem me tornei e como estou. Só eu sei. E eu saber é o primordial. E quem pensa que um ano não pode reestruturar uma pessoa, se engana. Pode e como. No meu caso, não houve uma mudança, e sim um retorno à superfície.

E pra 2012 eu só tenho um pedido. Que eu não perca essa ousadia, essa perseverança, que eu não desacredite no outro, que eu continue firme e forte e que eu não tenha medo jamais. Porque por medo de perder, já perdi, mas por não ter medo de voltar atrás, recuperei todo o tempo perdido. Porque se tem uma coisa que me move é saber que há um dia depois do outro e que tudo é novo de novo. E que só perde aquele perdeu a chance de mais uma vez.
 
Obrigado aos que comigo riram muito, dançaram até cansar, bebemoraram a vida, se encantaram, se lembraram, se esqueceram, se se se... e viveram um dia após o outro da forma mais nossa possível. Valeu pela paz que o caos de vocês me causou. Esse é o meu equilíbrio.

 


10/12/2011

"O melhor vem sempre depois... "

Lição do filme (aparentemente frívolo) de hoje: "O melhor vem sempre depois... ". Entender a moral da história (de tudo) é simples, não precisa de muito, só da coragem que o 'depois' exige. Essa epifania só é digna dos poucos que arriscam viver a moral da história. Sexta!

Trilha da melhor cena:


Pior que o melhor de dois
Melhor do que sofrer depois
Se é isso que me tem ao certo
A moça de sorriso aberto


Ingênua de vestido assusta
Afasta-me do ego imposto
Ouvinte claro, brilho no rosto
Abandonada por falta de gosto


Agora sei não mais reclama
Pois dores são incapazes
E pobres desses rapazes
Que tentam lhe fazer feliz


Escolha feita inconsciente
De coração não mais roubado
Homem feliz, mulher carente
A linda rosa perdeu pro cravo

04/12/2011

Minhas quatro paredes

Enquanto eu me maquiava no espelho e ouvia Leoni, na pilha pro show de quarta, olhei meu quarto no reflexo... E vi o quanto gosto do meu quarto, do meu espaço, que é tão eu. Cada coisa guardada de forma excessivamente organizada. E a bagunça também no seu devido e espaçoso lugar. O meu lado forte e meu lado fraco expostos pra mim e pra quem no meu quarto (na minha vida) entrar. Só na escrivaninha está o creme de cabelos cacheados, os porta-copos de alguns bares que ganhei, os incensos do seu José Martines da Cidade Baixa, as mil canetas que não uso, pois mal sei escrever em papel, as velhas fotos e as mil senhas no mural, os porta recados com esboços de ideias e de afazeres, a bolinha pra eu fazer exercícios pra tendinite enquanto leio, o livro que estou lendo ("Contra um mundo melhor: ensaios do afeto" - Pondé), as lembranças da última viagem, a foto dos meus pais, o ingresso do show...

Nos meus pés, o porta-coisas, as havaianas que usei à tarde pra passear na rua, os livros que comprei na Feira ainda na sacola, os tênis de uma caminhada ao sol, os jornais a serem lidos empilhados, e eu em todos os cantos. E agora não mais de frente pro espelho, estou aqui escrevendo enrolada no roupão de cabelos ainda molhados enquanto meus amigos já me esperam pra sairmos rumo à lugar nenhum. Essa sou eu. O caos sob controle. E a minha bicicleta tá me olhando e me esperando pra um domingo ao sol atravessando a cidade pela Salvador França sentindo a liberdade de ser quem eu sou. Hoje é sábado. Não toque em nada. Tudo está como devia estar.

E agora já é domingo, e entrei no blog e vi que meu post não tinha sido publicado, e agora o caos já está excessivamente no seu lugar e o quarto voltou a ser impecável. Porque eu aprecio a bagunça justamente pra arrumar depois e ver que, sim, eu sei me salvar do caos em que eu me coloco. E logo mais, depois de 'relaxar' assistindo ao grenal, meu ciclo reinicia, e tenho certeza de que tudo voltará ao seu devido lugar (fora do lugar).

29/11/2011

'Interprete como quiser'

Sou contraditória pra cacete. Não pra mim. Pros outros. Pra mim sou simples e clara demais. Pros outros, dependendo do contexto, sou confusa e racional ao mesmo tempo; sou prolixa. Não me conhecem por inteiro, apenas isso. É que nessa incontrolável mania de tentar ultrapassar a superficialidade de todo e qualquer assunto ou situação, simplesmente pelo prazer de momentos singulares, (o que eu não deveria fazer com qualquer pessoa) eu sou mal interpretada. Aí, acabo tendo que recuar, desistir. Tenho que aprender que não é com todos que posso ser assim. Não mesmo. Alguns devem me achar prolixamente assustadora por não entenderem minhas entrelinhas. Só os semelhantes me acolhem e me compreendem. E que bom que existem estes, mesmo que raros.

Mas me estrebucho mesmo quando resolvo ser exatamente o oposto do que aparento ser quando falo, escrevo... Viro uma comum-qualquer que só quer se divertir, falar bobagens, rir da vida, de tudo e de todos e dançar até não sentir mais os pés, e esquecer que os joelhos doem; beber sem sede; e silenciar por preguiça de tanto falar mesmo com tanta coisa pra compartilhar. Meu silêncio é extravagante. E é principalmente aí que olhares desconfiados e enganados me miram e tentam impedir minha felicidade tão subjetiva e tão docemente minha. Só os íntimos sabem que tenho dois lados opostos dentro de mim bem marcantes e externados e que eu gosto disso independente do que pensam.

E nessas de não ser interpretada exatamente como sou, acabo querendo interpretar os outros, talvez por pura e mesquinha vingança. Mas aprendi uma coisa que eu queria que esses outros que não me interpretam entendessem: é praticamente impossível acertar na base da dedução. Não adianta juntar pistas, tentar encaixar as peças. O outro é e sempre será um mistério. O bom seria se simplesmente a gente (os outros e eu) soubesse deixar fluir. Sem suposição. Sem receio. Sem ansiedade. Sem calmaria. Sem medo. O fluir o presente, que pode ser o futuro, e que foi o ontem, e que de repente pode deixar de ser, e que não importa o que vai ser desde que seja. 

Tenho marcas do passado que me obstruem às vezes. Sou vítima de mim mesma pelas minha feridas e cicatrizes. E aí, esqueço que elas podem continuar ali sem que isso impossibilite que eu arrisque nem que para isso eu tenha outras várias chagas. A vida é isso. São marcas. Podem até ter sangrado muito, mas não mataram. Em muitos casos, ressucitaram. E se eu vivo intesamente é justamente pelo viver. Intensidade. Tem limite? Quero crer que não. Quero parar de escrever, de pensar, de interpretar, de absorver, de libertar. Alguém me para? Não, não me para, me move... Quero não perder tempo parada por medo de errar. Ah, o tempo que eu tanto respeito.

O que importa é que não importa o que eu expresse. É só me sentir pra me interpretar. Mais que me ouvir, me ler, me traduzir... me absorver. Bem disse Clarice Lispector, "suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...  ou toca, ou não toca". Buenas, não tenho medo de transparecer, nem de viver, mas às vezes simplesmente não vivo e nem sempre por minha culpa.

Chega, vou publicar e não vou reler porque talvez eu me perca... Se bem que "perder-se também é caminho", né, Clarice?